Destaques

Subserviência, inquietação e outras coisas

Por Leandro Salgentelli •
sexta-feira, 10 de julho de 2020


Hoje foi um dia atípico. Uma amiga perguntou ao me ligar se estava gripado ou era rinite. Eu disse que era rinite. Mas estava chorando. E não era só um choro. Estava, também, evitando chorar, fingir que está tudo bem. Quem diria, estava adiando a tristeza. Tenho postado fotos sorrindo, fotos com depoimentos de quem comprou meu livro Oceano de Sentimentos, uau, olha só, ela gostou; demonstrando uma vida ativa, que é o quase todo mundo faz nas redes sociais, mas a gente sabe que pouca coisa tem trazido alegria diante de tudo que está acontecendo.

Neste isolamento interno e externo, minha oscilação de humor perambula a todo estante. Às vezes, me pego avariado desconhecendo meus próprios comportamentos. É angustiante, porque os pensamentos não cessam: onde tudo isso vai parar? Quando conviver não será mais tão perigoso?

Reparto esse sentimento com você, porque a vida não é só as alegrias que comentamos aqui ou acolá. Pelo contrário, no buraco da fechadura de cada um há algo que aflige. De uma sensibilidade que me é característica, tenho que admitir: estou emocionalmente abalado e aflito. A ideia não é desanimar ninguém, mas expor o outro lado que temos que abrigar dentro de nós. A tristeza genuína também merece espaço. E precisamos enxergá-la.

E diante desse caos todo, às vezes também dá uma alegria pôr me perceber inteiro. De perceber o vento tocar o rosto e ficar despido diante das máscaras que nos cercam. Como disse, é ótico.

No entanto, na inércia de um dia desses fui rever algumas fotos. Deparei-me com uma que havia tirado do pôr do sol na praia de Copacabana, Rio de Janeiro. É um retrato do que fui ontem. E quem diria que algumas horas depois eu embarcaria num choro e numa imensidão que havia adiado por tanto tempo. Eu adiava aquele encontro comigo mesmo porque temia a vulnerabilidade que me alcançaria no depois. Tudo veio à tona. Eu chorava de uma dor que havia abafado e que ali retornava. Eu chorava porque não sabia mais o que fazer com a sobriedade. Porque havia perdido o meu próprio colo. Eu chorava porque percebi naquele instante que havia me doado de tal maneira que já não reconhecia o meu próprio eu. O tom da minha voz. O meu raciocínio ilógico, incerto, imprevisto e transitório. Eu chorava de uma alegria que só reconheceria depois. Eu chorava de um passado que havia debochado. De uma parte de mim que hoje desconheço. Eu chorei porque é o que fazem aqueles que nasceram com uma sensibilidade exacerbada. Transbordam. Já não sabia a diferença entre as ondas e o oceano que me habitava. Eu chorei de uma melancólica que me traz estranheza até agora enquanto as palavras tomam conta dos meus dedos.

É engraçado como as semelhanças dos sentimentos se repetem. E desde então não fui mais o mesmo. Passei a respeitar o que levo no intrínseco. A ouvir mais do que falar, a colocar uma música quando parece que o dia se transforma em nevada. Passei a me cobrir com lençóis e cobertores. A respirar fundo. A vencer o cansaço de todos os dias.

Mas como bem escreveu Cora Coralina certa vez: todos os dias devemos aprender uma palavra nova. É o que tenho feito. Nesse hiato que é atravessar os dias, penso que aprendi avançar e aceitar essa inquietação que me toma por ora. Ah, na companhia dos livros também aprendi uma palavra nova: subserviência. É o que nos restou agora.
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[FRANCAMENTE] MEU CRIME É NÃO SER LIVRE

Por Francine S. C. Camargo •
domingo, 21 de junho de 2020

Como é possível libertar uma mente que prefere a escravidão como sistema de vida? Como se desencarcera alguém que tem a alma de escravo, em que a submissão cabe bem perante os dias, organiza as tarefas e traz o grau máximo de segurança?
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UM CANTO AO AMOR PRÓPRIO, CONHEÇA LISIANTO DE ALAN SILVA

Por Salvattore Mairton •
quinta-feira, 18 de junho de 2020

Título: Lisianto
Autor: Alan Silva
Páginas: 97 
Onde Comprar: Amazon
*Livro Cedido em Parceria com O Autor*

"Não preciso do amor romântico para ser completamente feliz. Enquanto eu tiver a mim, terei o suficiente para viver. Hoje eu não morro de amores. Não mais.   Com amor, Nala Alvis."

Queridos leitores, depois de um certo período sem escrever resenhas, volto com uma resenha do livro responsável por me tirar de uma grande ressaca literária. Lisianto, de Alan Silva, é mais que um livro é um canto ao amor próprio, e vocês entenderão o porquê. 

Lisianto traz a história de amor de dois rapazes, que após um início promissor acabam por se perder em alguns obstáculos que a vida coloca no caminho dos dois. Nala e Lisianto vivem um amor perfeito, não fosse os desejos do corpo e a falta de compreensão acabar com a história que tinha tudo para ser perfeita. Parecia que o casal viveria unido até o final dos seus dias, pois o leitor verá como eles se conectam, como se entendem, como o seu sexo é natural e como os beijos traduziam todo o amor que viviam. 

Difícil não se emocionar ao ler as cartas de amor e desilusão postas a cada início de um novo capítulo. Alan Silva soube dosar a emoção de maneira que o leitor fique encantado com cada palavra. Até mesmo as cenas eróticas, que se encaixam em alguns capítulos, conseguem trazer a poesia que Lisianto traz em todo seu enredo. 

Outro ponto forte é a escrita do autor. Já venho de outras leitores de Alan Silva e percebo todo seu amadurecimento com este lançamento, como ele aprendeu a dosar vigor no enredo e emoção em suas palavras. Por ser um livro curto, são apenas 97 páginas, a leitura pode ser feita de maneira rápida, mas indico fazer com calma, apreciando cada momento dessa linda história de paixão e decepção. 

Bem no início de nossa resenha citei que Lisianto era mais que uma história de amor LGBTQI+, era um canto ao amor próprio. Ao Nala narrar todo seu amor e sua decepção, fica claro como a cada capítulo ele passa a se entender mais e a se amar acima de qualquer coisa, e este é o intuito do livro, mostrar que podemos sim viver grandes amores porém não esquecendo que podemos ser felizes sem necessitar de outra pessoa para isso. 

Finalizando, deixo minha indicação para que  corram agora na Amazon e leiam Lisianto, além do ponto positivo de ser um romance LGBTQI+, ganha pontos por trazer uma escrita clara, pelos capítulos curtos, pela química dos protagonistas e vários outros que eu poderia citar aqui. E sim, como já falei, o livro tem cenas eróticas, mas isso não é colocado de maneira forçada e exagerada, mas sim da maneira mais natural possível. 

Agora fica a pergunta, seria Lisianto apenas uma ficção ou história real? Deixo a pergunta e que vocês leitores tirem suas conclusões. Até mais. 
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[CRÔNICA] AMORES LIVRES

Por Leandro Salgentelli •
sexta-feira, 5 de junho de 2020


Sempre tive uma ânsia de entender os relacionamentos amorosos e longínquos que nos adequamos. De certa forma, sempre foi uma incógnita porque lá ínfimo da minha existência permanecia a inquietação: como alguém consegue permanecer em um relacionamento que não vai trazer retorno emocional? Claro que todas as divagações chegavam ao campo da razão. E essas indagações todas retornaram após ler “O mundo pós-aniversário”, de Lionel Shriver. A autora é daquelas que não se conforma com o convencional. Seus livros trazem temas da realidade e a cada página somos sucumbidos à desconstrução de tudo aquilo que acreditávamos como certo.

Nesse livro em especifico aborda o relacionamento de um casal americano. Irina, protagonista da trama, é casada com Lawrence, um homem culto e perspicaz. E todos os anos o casal comemora o aniversário do amigo de Lawrence, Ramsey Acton, um famoso jogador de sinuca. Até que em um desses aniversários Irina, num momento repentino, tem o desejo de beijar Ramsey. A partir desse acontecimento o livro se divide em dois: retrata a vida de Irina embarcando nesse mundo desconhecido do impulso erótico e desmembra a vida da protagonista reprimindo o desejo.

A partir dessa escolha, durante as 542 páginas, Shriver nos leva para admissão de um relacionamento satisfatório, e suas nuances, até a crueza da infidelidade. A certa altura do livro indaga: “Mas é engraçado como aquilo que nos atrai numa pessoa é o mesmo que passamos a desprezar nela”.

Falar sobre relacionamento é muito delicado. Admiro a ferocidade de Shriver por trazer esse assunto para conversamos numa mesa durante o jantar. Porque desde quando passei a ler Simone de Beauvoir, a qual rasgava o peito para trazer à tona toda sua veracidade, ainda no século XX, compreendi que a sociedade precisava amadurecer muito para lidar com a complexidade do próprio corpo, dos limites do próprio corpo.

Penso que o relacionamento monogâmico, este que passamos adiante, pai-mãe-filho, ultrapassam as limitações da estreiteza no convívio. É delicado o assunto porque temos uma falsa impressão que este é o único caminho para se ter uma vida bem aproveitada de fato. Quando nos relacionamos, esperamos algum retorno emocional, de certo modo temos, mas a pergunta que fica é: por quanto tempo?

Ao nos relacionarmos nesse modelo patriarcal estamos fadados à submissão. Abrimos mão das vontades, dos desejos, deixamos de ir a certos lugares porque desagrada o parceiro. O que pouco se discute é que mudamos nossa personalidade para caber no conceito do outro. Até que num dado momento a dependência emocional é tamanha que não vemos alternativa a não ser aceitar essa resignação. E esse é outro ponto: a perda da identidade.

É doloroso admitir que o casamento seja uma instituição falida. Como é doloroso admitir para mim mesmo que não é normal sentir uma pequena morte a cada fim de relacionamento. Que tipo de amor é esse que causa uma desorganização psicológica tão grande a ponto de perder o tino? Que sonhos são esses que apostamos num relacionamento para sentir tanta fragilidade? Que nível de frustração é essa para nos desestruturar tanto? E a pergunta que mais me toca, que faz repensar todas as minhas relações: que ideia é essa de sermos salvo de modo que a saúde física e mental ficam abaladas?

Os números de divórcios aumentam a cada dia que passa porque a convivência muitas vezes nos leva abrir mão do que está no intrínseco. Não vejo esse aumento como algo ruim, pelo contrário, acredito que a sociedade está atenta a fragilidade e aos desequilibro desse modelo de se relacionar.

Há uma nova geração surgindo que aposta no modelo afirmativo. São homens e mulheres que acreditam na liberdade, na autonomia e responsabilidade. Trazem a ideia de construir relacionamentos de um jeito que possamos ser honestos e abertos uns com os outros, de modo que sentimos e vivemos também nossa sexualidade. Relações livres se faz tão necessário numa época em que ainda carregamos cicatrizes emocionais das agressões cotidianas que vivenciamos.

Amores livres talvez passem por aquele processo de amadurecimento onde se percebe que é preciso preservar a individualidade, falar sobre sexo abertamente e, sobretudo, sentir-se livre para desejar.

Eu mesmo já rebati esse conceito, mas devo admitir, hoje, depois da sagacidade de Shriver, que a partir daquele beijo onde apresenta as possibilidades de desfechos, que resultaram nas motivações mais intimidas da personagem diante da escolha de dois homens opostos, por mais consolidada seja uma relação, por mais longínquas que aparenta ser, aquilo nos atrai é o mesmo que podemos passar a desprezar.

Amores livres talvez passe pelo conceito de que é preciso conviver com a incerteza e a insegurança. Porque nenhum amor — nenhum — pode ter a arrogância de afirmar uma vida vitalícia, pois sempre teremos a opção de abrir a porta e ir embora.

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[FRANCA MENTE] MELANCOLIA EM VERSOS

Por Francine S. C. Camargo •
domingo, 24 de maio de 2020


Na cozinha, o café esfria,
o pão com manteiga endurece
e a cabeça rodopia,
não sei bem o que acontece.
E nem sei o que fazer com essa monotonia.

A água da chuva já secou,
o universo despencou
e os escombros persistem morando no chão da sala,
ocultando aquela dor que ainda resvala
e não sei o que fazer com aquela fotografia.

As frases ditas se perderam em castigo.
As palavras não ditas se esconderam em abrigo.
A ausência se incorporou à minha nudez,
enfatizando os meus quilômetros e quilômetros de insensatez
e me pergunto o que fazer ao final do dia?

Viro para o canto: olhos abertos, lembranças insanas;
desencanto, caminhos incertos
(e a inércia se espalhando na cama)
e a cabeça leviana que olha para trás
e, por enquanto,
não é capaz de abandonar o passado ainda em vigília.

Procuro, então, uma sombra
mas é sol que fulgura.
Encaro o espelho em afronta,
Mas só enxergo tal imagem obscura.
E eu realmente não sei o que fazer
depois que a saudade distancia.

Sucumbir, mas retornar.
Definir e, enfim, praticar.
Mas o tempo estagna e a tristeza irradia.

Reconhecer é recomeçar,
surpreender ao se revelar
nesses versos em melancolia.




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[ENTRE CONTOS E CLÁSSICOS] AS ONDAS - VIRGÍNIA WOOLF

Por Francine S. C. Camargo •
sábado, 23 de maio de 2020


Peço licença hoje para apresentar uma resenha totalmente pessoal. Não vou me desculpar pela parcialidade nas opiniões e comentários que dedico à obra, pois estamos falando de Virginia Woolf, que por si só dispensa apresentações. Mesmo assim, vou apresentá-la com meus olhos. ESCRITORA em letras maiúsculas, pois o que ela desenvolveu em sua arte trouxe sensibilidade, intelectualidade e beleza ímpares no início do século XX, ecoando nos admiradores modernistas dos romances psicológicos que a sucederam e foram inspirados pelo seu gênero, tal como a diva Clarice Lispector.

A escrita como um fluxo de consciência é a marca de também outras belíssimas obras (A viagem, Orlando, Ao farol, Mrs. Dalloway, Flush, Entre os atos), com tramas emocionais dos personagens, lirismo e poesia emanando de cada página. Logo, sua leitura pede olhos pacientes e devotos, leitores que se entregam e sentem cada palavra e aceitam se aventurar em narrativas experimentais e com poucos ápices e acontecimentos.

Voltando à leitura de uma das minhas obras favoritas da vida, digo que As ondas é um livro tão tocante, por me basear na imensidão de toques na alma que ele é capaz de fornecer.

A história nada tem de complexa: um grupo de seis amigos se une para tecer considerações a respeito de suas próprias reflexões, mais como um solilóquio do que como uma conversa de fato entre velhos amigos. Virginia nos aproxima do inconsciente de cada um deles quando nos permite participar dos monólogos de Bernard, Louis, Neville, Rhoda, Susan e Jinny, cada um com sua particularidade, além de Percival, personagem extra mais citado do que vivido. Os pensamentos de cada um se revezam e se transpõem, como em ondas, intercalados por cenas do mar narradas em terceira pessoa (ah, maravilhoso, maravilhoso!) ao longo de um dia, em uma atmosfera de poesia em todo o livro.

Para não me prender demais aos elogios, seguem alguns trechos que tornarão mais compreensível toda essa admiração:

“Ele se afastará da minha vida, esquecido, quase inteiramente ignorante do que foi para mim. E, por incrível que pareça, entrarei em outras vidas; talvez não seja mais que uma escapada, um simples prelúdio. […] continuarei a deslizar para trás das cortinas, para o seio da intimidade, em busca de palavras sussurradas a sós.”

“No correr de minha vida farei o gigantesco amálgama das discrepâncias tão cruelmente óbvias em mim. Conseguirei isso à força de tanto sofrer. Vou bater. Vou entrar.”

“Por isso odeio espelhos que me revelam meu verdadeiro rosto. Sozinha, muitas vezes mergulho no nada. Preciso firmar meu pé fortemente, se não, caio do limite do mundo para dentro do nada.”

“De que adianta elaborar penosamente essas frases coerentes, quando precisamos não de uma sequência coerente, mas de um latido, um gemido?”

"Agora vou embrulhar minha angústia dentro do meu lenço. Vou amassá-la numa bola apertada."

"As histórias que perseguem as pessoas até seus quartos de dormir são difíceis."

Mais do que um romance, um jogo poético como a própria autora o descreveu,  As ondas é um convite para uma viagem efêmera nesse tempo que flui incerto e passa por nós, sem nunca nos ter pertencido.



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CONHEÇA "IR TAMBÉM É FICAR" COLETÂNEA ORGANIZADA POR VANESSA BRUNT

Por Adriano Silva •
quarta-feira, 20 de maio de 2020

TÍTULO: Ir Também é Ficar
ANO DE LANÇAMENTO: 2019
EDITORA: Penalux
NUMERO DE PAGINAS : 110
DISPONÍVEL PARA COMPRA EM:AmazonEditora Penalux

A primeira coisa que tenho a dizer antes de iniciar essa resenha é que este livro da Editora Penaluxo (ops! Quis dizer Penalux!) é maravilhoso, não somente pela capa em tom azul, mas como a sempre diagramação impecável e a revisão absolutamente perfeita.
Depois dessa seda toda rasgada, vamos aos fatos, ou melhor dizendo, ao livro Organizado pela Vanessa Brunt. “Ir Também é Ficar” traz 6 autores e 6 tramas interligadas nas linhas invisíveis das relações humanas.


O primeiro conto, que leva o título do livro, escrito pela organizadora, Vanessa Brunt, é um grito de o que estamos fazendo para nos tornarmos memoráveis. A narrativa é construída de forma bem artesanal, o que gosto muito, alimenta um texto mais intimista e que com toda certeza imprime a personalidade da autora nas personagens. A autora criou também uma trama com várias divisões nos subcapítulos, achei arriscado e que deixou o texto muito longo, mas de fato surpreende pela ousadia e qualidade. Ponto para Brunt!

Elizza Barreto, do conto; “Não esqueça a nanquim vermelha”, leia esse título em voz alta. Não é gostosa essa frase? Sim, é perfeita! O texto é assim como o título, gostoso de se ler e com uma carga emotiva bem carregada. Equilibrou bastante o texto anterior de Brunt e com toda certeza foi aquela cerejinha no bolo. Iniciar um conto com “Giulia não entende nada. Nem mesmo como consegue carregar tantos pesos nas costas em todas as viagens.” Sinceramente? Já sou fã da autora! Os diálogos são crus. Sabe aquele cru bem escrito, bem fala mesmo informal? Pois é! Lindo demais e é um conto mega curto.


Evanilton Gonçalves. Esse autor, queria ler a lista de compras desse rapaz. Definitivamente é aquele escritor que quando a gente termina de ler “Um passo: Toda uma vida” ficamos pensando “por que essa criatura não escreveu mais e mais desse conto?”. Mas temos de nos contentar apenas com a frase que fecha seu conto “dois segundos que duraram o infinito”.

Fiquei pensando por quase 1 hora o que eu poderia escrever sobre o conto “Amor de Puta” do Matheus Peleteiro. Primeiro ponto positivo do autor foi para esse título que choca, mas no texto...ele choca muito mais ao destrinchar o amor de uma marginalizada com um homem de classe social diferente e de alto nível...Matheus, você está me lendo aqui? Tu és um escritor nato, quero um livro todo teu com esse conto desenvolvido!

Eu realmente fiquei impressionado com as conexões que foram realizadas entre os textos. Isso não é fácil de se construir e se leva bastante tempo. Todos os autores conseguem surpreender nessa espécie de desafio organizado por Vanessa Brunt.

Recomendo a leitura para ontem de “Ir também é ficar”, pela qualidade literária, pela ousadia e pela junção de tantos autores incríveis, o que é difícil de acontecer, geralmente um autor destoa dos outros, um conto fica menos desenvolvido, mas não aqui. Ótimo e memorável!

 SINOPSE PELA EDITORA:

Até que ponto podemos mesmo ir embora? As bases das tramas curtas de seis autores que são relevantes para a nova geração se interligam ao trazer reflexões aprofundadas sobre tal indagação. Em cada página, estão personagens com diferentes formas de enxergar o mundo, assim como metáforas que criticam aspectos dos relacionamentos humanos atuais em suas várias formas. A leveza do amor, a urgência do romance, o peso da traição e a quebra das banalidades andam de mãos dadas nas entrelinhas dos contos de Evanilton Gonçalves, Edgard Abbehusen, Mariana Paiva, Matheus Peleteiro, Elizza Barreto e Vanessa Brunt. Com críticas sociais de diversos escalões, esta é uma obra que faz ode aos que se indignam com as inversões de culpas sociais. Indo de uma distopia até os pontos mais literais do passado e presente, este livro é feito para quem sabe que uma vez que entramos, nunca mais podemos ir.  




Até a próxima Resenha!
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