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[FRANCA MENTE] AS SEM DEFINIÇÕES DO AMOR

Por Francine S. C. Camargo •
domingo, 15 de março de 2020
Ah, o amor
Que nasce não sei onde
Vem não sei como
E dói não sei porquê.
- CAMÕES

EU PERGUNTO A VOCÊ, leitor, o que é o amor? Você sabe responder?

 Vamos passar uma temporada falando sobre tal sentimento. Jogue no Google e se desencontre, porque muito se fala nesse afeto universal de uma forma enaltecedora, contudo pouco se esclarece, sendo então mais frequente escreverem sobre o ato em si de amar, os objetos do amor, as consequências do sentir e as várias formas de expressá-lo.

Luar perdido em mim?

 Amor é um sentimento de afeto e carinho e blábláblá. Grande desejo. Forte afeição e dedicação por outra pessoa. Atração baseada no desejo sexual. Conhecimento? Sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou coisa. Mecanismo biológico governado pelo sistema límbico?

O amor deve ser aprendido?

 Seja amor físico e apaixonado, envolto em desejo, como visto em Eros, amor de sacrifício e incondicional (Ágape), ou amor de amizade, lealdade à família, comunidade e trabalho (Philia), o termo AMOR realmente tem uma “elasticidade impressionante”(Leandro Konder), com conceitos que navegam pela Psicologia, Filosofia, Religião, Mitologia, Antropologia, Sociologia, Linguística, Artes e até na Política.

Amor é a verdadeira verdade. Ou a ilusão mais profunda?

 Mas também há muita definição pobre, talvez errônea a respeito. Há quem insista que o amor tem que ser cego (novamente bato na minha tecla de sempre: se a gente “não tem que nada”, que dirá o Amor...). Há quem goste de traçar diferenças entre paixão e amor, dizer que um é começo e outro é seguimento, que um é chama e outro é brasa, que um é loucura e outro serenidade. Não tenho a minha definição bem formada, mas gosto de pensar que Amor pode ser tudo junto e um pouco mais, ou um pouco menos, dado o momento que a gente vive.

O amor é uma força ativa no homem; uma força que irrompe pelas paredes que separam o homem de seus semelhantes, que o une aos outros; o amor leva-o a superar o sentimento de isolamento e de separação, permitindo-lhe, porém, ser ele mesmo, reter sua integridade. No amor, ocorre o paradoxo de que dois seres sejam um e, contudo, permaneçam dois.
- ERICH FROMM

 Gosto dessa definição, mas há muitos antagonismos e dúvidas nesse tema. O amor liberta ou aprisiona? Traz euforia ou melancolia? Morre-se de amor todos os dias ou vive-se pelo amor até a morte? Ele nos enfraquece ou nos solidifica? Sempre haverá renúncias ou quem ama busca mais? O amor espera e é paciente ou tem urgência? Frustra-se ou tolera? É pureza ou como diria Tom “é a verdadeira sacanagem”?

O amor é tudo que você precisa? (E “All you need is love”?)

 Mas em que parte do corpo a gente estoca amor? Como ele faz para se expressar em todos os poros da pele? Amar é uma arte? É real ou bordado pela imaginação? É doença ou é tratamento? Se for doença, tem cura; se for medicamento, há antídoto? Pra onde vai o amor depois que ele vai embora? Por que deixa triste, por que instabiliza o humor, por que faz querer criar, por que pede para ser clamado?

 É fato que o Amor vem, de um jeito ou de outro, mesmo para quem o teme e ele chega devorando esses medos, faminto e sem piedade.

Se você sabe explicar o que sente, não ama, pois o amor foge de todas as explicações possíveis.
 - CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

 Será que essas perguntas não nos levam a lugar algum e é melhor parar de tentar explicar e deixar fluir?

 Não importa o caminho para esses conceitos, eu vou continuar me referindo a ele em inicial maiúscula, frequentemente até todinho em letras maiúsculas, garrafais, se preciso for, como um grito para ver se chega, se atinge, se invade. Amor. AMOR. AMOR GRANDE, AMOOOOOOOOR. Vamos continuar falando de Amor?

 Por: Francine S. C. Camargo

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