EM PARCERIA COM LISA TUTTLE, GEORGE R. R. MARTIN EXPLORA OS CÉUS EM SANTUÁRIO DOS VENTOS

Por: Bruno Marukesu - 09:00

Título da Obra: Santuário dos Ventos
Autores: George R. R. Martin & Lisa Tuttle
Ano da publicação original: 1981
Ano da publicação no Brasil: 2018
Relido em: março de 2019
Nº de Páginas: 416
Editora: LeYa
Tradução: Luis Reyes Gil
Onde Comprar: AMAZON | AMERICANAS | SARAIVA | SUBMARINO
Livro cedido em parceria com a editora

 Na trama, após um desastre espacial, os tripulantes de uma nave intergaláctica passam a habitar uma região que chamam de Santuário dos Ventos, um mundo de pequenas ilhas, de clima difícil e mares infestados por monstros. Composta de inúmeros arquipélagos, a comunicação entre os povos era praticamente impossível – até a descoberta de que, devido à baixa gravidade e à sua densa atmosfera, os humanos poderiam voar pelos mares com a ajuda de asas de metal.
 Não por acaso, ninguém tem mais prestígio que os voadores, responsáveis por levar notícias para os mais diversos pontos do Santuário. Essas figuras deslumbrantes que cruzam os oceanos traiçoeiros, enfrentando ventos revoltosos e tempestades súbitas, formam também uma espécie de elite privilegiada, pois suas asas só podem ser passadas de forma hereditária.
 É nesse cenário que a jovem Maris é criada por Russ, um voador, e tudo o que ela mais deseja é voar pelas correntes acima do Santuário dos Ventos. No entanto, a tradição afirma que as asas de Russ só podem ser passadas para seu filho legítimo. E, para os voadores, permitir que qualquer um se junte à sua sociedade é uma ideia que beira a heresia.
 Inconformada, Maris recorrerá a tudo que estiver a seu alcance para conquistar as preciosas asas – abalando a sociedade em que vive e gerando uma série de novas questões morais entre os voadores e os “confinados à terra”. Afinal: quem merece ganhar os céus do Santuário dos Ventos? E até que ponto a benção se torna também uma maldição?


SANTUÁRIO DOS VENTOS nos apresenta a humanidade em outro planeta onde no passado  tiveram que vencer as adversidades ocasionadas por grandes ventos e animais marinhos hostis. Nasceu assim os voadores que eram humanos portando asas gigantes no intuito de fazer a comunicação entre uma ilha e outra, sendo pombos correios e enfrentando com graciosidade os ventos traiçoeiros.

 Nossa protagonista nasceu nesse mundo mas do lado errado da história. Maris era uma confinada à terra, ou seja, humana que não nasceu na família de voadores e que nunca iria poder voar. Filha de pescador, ela foi adotada ainda na infância por um voador experiente chamado Russ que via nela uma voadora mesmo que nunca pudesse chegar a ganhar os céus. Por anos Maris usou as asas de Russ até que nasceu Coll, o seu primogênito, que deveria reivindicar as asas do pai quando chegasse na idade adequada.

 Maris mesmo não sendo filha sanguínea da “casta” dos voadores era uma excepcional voadora. Ninguém negava que tê-la nos seus era uma dádiva. Entretanto, as leis dos voadores eram antigas e arcaicas. E Maris então ousou rompê-las.


“[...] Pelo tempo em que essa canção for cantada eles saberão de você, a menina que queria tanto suas asas que acabou mudando o mundo.”


 A obra é divida em três grandes partes: TEMPESTADES, UMA-ASA e A QUEDA.

 Não há capítulos e isso torna o ato de pausar a leitura no dia-a-dia frustrante visto que terão que fazê-los nas quebras de parágrafos, isso se vocês forem como eu que não consegue pausar enquanto não conclui um capítulo.

 Acompanhamos Maris desde a infância até chegando a velhice onde seus olhos e ouvidos a traem e todos que conheceu morreram há tempos. Lemos sobre os seus feitos históricos, as rupturas causadas quando tentou ter as asas de seu pai Russ para si e as consequências desse ato a longo prazo na história dos voadores.

 Foi muito bem construído o muro invisível que divide os voadores dos Senhores da Terra e confinados à terra. Existe uma hierarquia que parece nunca ser quebrada e junto dela os privilégios oriundos de um passado tão distante da história que é questionável a sua veracidade visto que tudo parece ser passado oralmente. Enquanto os voadores e Senhores da Terra são tratados como iguais, os confinados à terra já são um nível abaixo, é a massa que respeita os dois mais altos e o tratam quase como deuses chegando a acreditar que tocar na asa de um voador traz sorte. Saber que uma garota decidiu trazer questionamentos sobre isso me deixou muito empolgado, os autores deram um empoderamento a personagem que traduz bastante a mulher moderna da vida real que não aceita mais o que mundo antiquado dos homens dita.

 Admito que não considerei uma leitura rápida, levei dias para terminar e ainda assim decidi retornar depois de meses para reler afim de avaliar se todo esse mundo fantástico criado por George R. R. Martin e Lisa Tuttle valia mesmo o tempo gasto lendo ou se eu havia somente consumido cegamente um material escrito pelo vô George e o aceitei como espetacular. Conclui que SANTUÁRIO DOS VENTOS é um enredo bom, faz um comparativo a nossa sociedade atual - e olha que a obra foi escrita lá na década de oitenta - onde se batalha para deixar no passado os costumes tradicionais arcaicos que são tão excludentes quanto preconceituosos. Só reconfirmei o meu amor pela mente de George R. R. Martin e passei a admirar Lisa Tuttle que até então desconhecia.

 Os personagens secundários construídos são muito bem descritos, percebe-se o cuidado em criar as suas histórias personalidades, até os meros coadjuvantes em cenas tem pitadas das suas histórias pessoais apresentadas ao leitor que pode muito bem decidir se lhe é útil ou não conhecer.

 E o que falar dos cenários... Ah, mesmo com as silas dando um baita medo me vi tentado a morar nas Ilhas do Oeste para desfrutar das tempestades constantes e seus efeitos na terra pois viver no calor não dá certo.

 Na edição física a capa maravilhosa fica por conta do artista que admiro muito: Marc Simonetti. Há um mapa logo na terceira folha que contribui para nos situarmos nas localidades. As páginas são amareladas, e a fonte das letras e o espaçamento das linhas são em tamanho agradável aos olhos. LeYa arrasou na edição mesmo ela em seu miolo sendo muito semelhante aos livros lançados no passado da série As Crônicas de Gelo e Fogo.

 Com narrativa em terceira pessoa, SANTUÁRIO DOS VENTOS é uma ótima pedida para os leitor que buscam um enredo fantástico e que não querem topar com aquele romance dramático clichê pois a protagonista Maris é tudo menos romântica.


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11 comentários

  1. Oiee,
    realmente para quem é fã de livros de fantasia, esse, com certeza supri o que promete.
    Eu não gosto do gênero, me cansa demais.
    Ainda mais sabendo que o livro não tem capítulos, me frustra muito

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    1. Oi, Helana ^^
      Realmente, essa falta de capítulos foi algo que me incomodou bastante na primeira vez que li. Não sei qual foi o intuito ao não criar os capítulos, se foi algum desafio dos autores ou teste do tipo de leitor que o livro se destinaria, vai saber.
      Obrigado pela visita no blog. :)
      Abraços.

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  2. Eu sou super fã de fantasia e adorei essa sua dica de hoje.
    Gosto muito dos livros do George Martin e tenho certeza de que vou gostar dessa história que ele escreveu em parceria com a Lisa Tuttle. Já li outros livros que ele escreveu em parceria com outros autores e o resultado sempre me agradou!
    Uma pena que o livro não tenha divisão em capítulos... Acho que vou ter que ler de uma vez só então!! kkkkk
    beijos
    Camis - blog Leitora Compulsiva

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  3. Eu não sou de ler fantasia, mas uma exceção são os livros do Martin, apesar que sempre que vejo um novo trabalho dele, me pergunto porque ele não conclui os livros da Cronicas de gelo e Fogo antes de lançar coisa nova... rs
    Anotei essa dica aqui e espero conferir em breve.
    Beijos

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    1. Oi, Ivi ^^
      Realmente da a impressão que ele lança vários projetos e nada de sair as continuações de As Crônicas de Gelo e Fogo, mas o que ocorre é que os livros chegam atrasados aqui no Brasil. Santuário dos Ossos para você ter noção foi lançado em 2003 e só agora chegou por aqui. Queria entender como ocorre esses acordos para fazer demorar tanto sair obras antigas. :(

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  4. Eu ainda não li nada deste autor, mas estou tentando encaixar As Crônicas de Gelo e Fogo na minha lista (ainda preciso comprar o primeiro livro, pois tenho todos os da série, menos o primeiro.kkkkkkkk).

    Este livro, Santuário dos Ventos, chegou a despertar meu interesse por ter uma protagonista tão forte e que luta pelo que deseja, mesmo que tenha que quebrar regras tão arcaicas, e também pela questão das asas gigantes. Sério! Eu cheguei a me imaginar neste mundo. Adoraria ter estas asas!rs

    Bjs!

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  5. Olá, fiquei com vontade de fazer essa leitura, achei incrível a ideia dos voadores e da garota que deseja ser uma voadora mesmo não tendo nascido na família onde isso é possível. Amei conferir sua opinião sobre a obra.

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  6. Olá!
    Eu nunca tive curiosidade em ler nada desse autor, apesar de adorar a adaptação de GOT. Parece ser uma obra bem interessante, envolvendo mundos, protagonistas que mostram força e determinação.
    Acho que pode ser uma boa dica começar conhecendo essa leitura.

    Camila de Moraes

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  7. Olá Bruno1!!!
    Bem eu não me arrisco no tio George porque até hoje venho adiando as leituras de "As Crônicas de Gelo e Fogo" e é porque comecei o primeiro livro, mas nunca vai mais pra frente que o necessário.
    Adorei e ao mesmo tempo fico triste que o livro mesmo sendo escrito nos anos 80 ainda continua tão atual, ainda mostra que nossa sociedade ainda é muito mais dos homens e que as mulheres as vezes tem que rebaixar as vontades do mesmo.
    De todo modo é um livro a ser considerado em ser lido e quem sabe eu dê uma oportunidade ao mesmo.

    lereliterario.blogspot.com

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  8. Ola!!

    Não conhecia esse livro, confesso, achei bem interessante a sua resenha, porem, o livro não se encaixa em nada no meu estilo de leitura e acredito que ele não seja realmente o meu estilo. Leituras mais lentas assim e tudo mais, não é para mim

    beijos

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  9. Olá
    Amo uma fantasia muito bem desenvolvida e parece que estamos falando de uma.Entendo que a leitura não é tão rápida, pois geralmente é um enredo mais explanado e mesmo amando fantasia acho que isso deixa as vezes o enredo massante se o autor não souber fazer de um jeito que os detalhes não fiquem cansativos. A premissa da história é maravilhosa e fiquei muito curiosa sobre como e por que a garota foi adotada e como funcionava essas castas. O desenho me chamou muita atenção.
    Adorei sua resenha.
    Beijos

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