DARK SIDE RESSUSCITA APÓS 200 ANOS O GRANDE CLÁSSICO FRANKENSTEIN

Por: Nathalie Murcia - 22:28



Título: Franskenstein
Autora: Mary Shelley
Editora: Darkside
Páginas: 299

FRANKENSTEIN, OU O PROMETEU MODERNO é um dos primeiros lançamentos da coleção Medo Clássico — ao lado do volume de contos do mestre Edgar Allan Poe — no início de 2017. A qualidade do livro é impecável, para cientista maluco nenhum colocar defeito. Capa dura, novas traduções, ilustrações feitas por Pedro Franz, artista visual e autor de quadrinhos reconhecido internacionalmente. O livro é impresso em duas cores: preto e sangue.

Considerado um clássico do gênero terror gótico. Contudo, o livro é muito mais que uma singela história de medo. A narrativa é permeada de nuances filosóficas e existenciais. A criação do monstro, pelas mãos e intelecto de Victor Frankenstein, que, de forma obstinada, se propôs a insuflar vida a tecidos inanimados, foi a sua obsessão, mas também, quando obteve êxito nessa empreitada, semeou sua própria desgraça.

Ao mirar a criatura recém despertada, Victor foi tomado de um pavor motivado pela aparência medonha do ser, e o abandonou a própria sorte. O monstro, perambulando sozinho em locais inóspitos, após ser rejeitado pelo seu criador, e por qualquer humano que com ele se deparava, teve sua natureza essencialmente bondosa, sensível, e moldada por sentimentos nobres, transmudada para uma personalidade pérfida e vingativa, sobretudo depois que Victor lhe negou o pedido de construir uma criatura à sua semelhança, do gênero feminino.

É impossível concluir a leitura sem sentir empatia pelo monstro e desprezo por Victor. Os diálogos eloquentes entre criatura e criador constituem os pontos mais altos da narrativa, a exemplo deste:

" - Esperava por esta recepção - disse o espírito maligno. - Todos os homens odeiam o ignóbil; como devo ser odiado, eu, a mais miserável de todas as coisas vivas! Não obstante, você, meu criador, detesta-me e trata-me com desprezo, sua própria criatura, a quem é unido por laços que só se dissolverão com a destruição de um de nós. Pretende matar-me. Como se atreve a brincar com a vida? Cumpre seu dever para comigo e cumprirei o meu para contigo e para com o restante da humanidade. Se consentir com minhas condições, eu os deixarei em paz, e a você; mas caso se recuse, fartarei os lábios da morte até que se saciem com o sangue do restante dos seus amigos."

Dessume-se que, Mary Shelley trouxe à baila, ao menos, duas reflexões morais com sua obra: a de que a sede desmedida de conhecimento, no sentido de profanar certos mistérios da natureza desemboca para consequências nefastas, e a de que qualquer ser amado pode ser bom, sendo que é necessário enxergar por detrás das aparências. Em revés, uma pessoa se tornará má se for humilhada e maltratada.

Essa edição da Darkside está um primor. Capa dura, fonte confortável e folhas amareladas de material pólen soft. Há figuras imbricadas no bojo no livro. 

Ao fim da história de Frankenstein, foram incluídos quatro contos de Mary Shelley, cuja temática em comum é a imortalidade. Os contos são: 1) Valério; 2) O Inglês Reanimado; 3) Transformação e 4) O Imortal Mortal. Todos são geniais, tal como a narrativa principal. Gostei, em especial, dois dois últimos contos.

A introdução do livro apresenta curiosidades a respeito da autora, tal como a informação de que a criação de Frankenstein se deu graças a uma aposta entre Mary Shelley e outros jovens vizinhos, estimulados por Lorde Byron, numa noite chuvosa. Byron propôs que cada um escrevesse um conto de fantasmas, pois tinham o hábito de se reunirem para lerem histórias de terror. Felizmente, Mary Shelley levou a sério o desafio originado desta tertúlia e nos brindou com esse clássico atemporal.

Se eu tivesse que elaborar uma lista de livros para serem lidos por qualquer pessoa, não haveria como deixar  Franskenstein de fora!!!!

Se você gostou também vai gostar de:

0 comentários

Deixe sua opinião para nós do Refúgio Literário