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APOSTANDO NA FANTASIA JUVENIL, ADRIANO SILVA COMPARTILHA A FORMAÇÃO DO NECROMANTE KRUPERT

Por Bruno Marukesu •
terça-feira, 12 de maio de 2020
Onde Comprar: LUVA EDITORA

Krupert - O Primeiro Necromante narra a jornada de autoconhecimento de um jovem mago para superar os próprios limites e proteger sua família, mesmo que para isso precise quebrar as regras de seu mundo e invocar uma magia jamais utilizada.
Aventurando-se na misteriosa Terra de Biteron, após ser separado de seu irmão, Logap, para desenvolver habilidades especiais, Krupert enfrentará o desconhecido, clãs rivais, feras abomináveis e o peso de incríveis descobertas, dentre elas o amor e a verdadeira amizade.


KRUPERT - O PRIMEIRO NECROMANTE inicia-se com a apresentação do continente onde todo o enredo se passará. Ele se chama Biteron e logo de cara temos um vislumbre sobre como os humanos habitaram este continente mágico, e que mais para frente será detalhado pelo autor que não poupa em nós entregar todos os detalhes desta terra para que não aja furos que o leitor perceba. Isso foi uma característica que gostei mas que também me foi cansativa. Entendam, é bom sempre os enredos serem bem construídos, mas muitos detalhes cansam e podem afastar o leitor da leitura descompromissada; terá que ficar 100% focado para não se perder.

 Acompanhamos Krupert desde sua infância com sua família trabalhando duro para não passar fome. Passamos pelo ponto onde ele e seu irmão Logap, ainda pequenos, são levados - por obrigação da localidade onde se estabeleceram - embora pelo Mestre Lord para serem treinados como os objetivos de tornarem-se mago e guerreiro, respectivamente. Na ilha Taolk, acompanhamos sua evolução e sacrífico durante os anos para poder receber o grau de Iniciado na magia que é quando finalmente se tornaria um mago, de fato.

 Um detalhe que me chamou atenção foi Krupert não parecer sentir demasiada falta da família mesmo quando o seu irmão Logap é enviado para outra localidade, a Academia. Esse sentimento tão universal - ou pode apenas brasileiro - foi suprimido pelo autor que o justifica pelos afazeres diários e cansativos que Mestre Lord lhe proporciona.

 Durante a viagem que enfim o fará se tornar um mago, Krupert e seu assistente Sonyn auxiliam uma mulher desesperada por ajuda pois seu filho caiu em uma caverna perto da estrada. E é neste local que a vida do aprendiz sofre revirada com ele entrando em coma, como este que mudará toda a sua jornada e o fará questionar tanto o seu governo e história do continente Biteron como a origem da magia.

 Parabenizo Adriano Silva pelo zelo na criação da política que rege o continente. Mesmo ela parecendo em alguns momentos confusa, por conta de suas ramificações nas cadeias de comando das cidades e vilas, é claro que os Cinco Grandes Mestres são os governantes supremos de Biteron e que são vistos pelos habitantes quase como deuses. Fica o aviso de que a política é o pilar de toda obra visto que sem ela as missões de Krupert não aconteceriam e ele não teria contato com a história do continente e nem participaria das batalhas dos clãs.

 Sobre os personagens secundários tive grande afeição pelo Sonyn que teve papel mais de figuração. Acredito que ele poderia ter sido melhor trabalhado afim de se tornar a mão direita do Krupert. Já Danáh - jovem do mundo subterrâneo e que nos apresenta mais sobre a história da humanidade - tem uma personalidade que infelizmente não simpatizei tanto visto que a mesma não larga Krupert independente de como age, toma decisões e passe tanto tempo longe. Entretanto, se pararmos e analisar a história da própria humanidade veremos Danáh é a representação do passado, pois era comum séculos atrás - e que ainda hoje tem grande influencia tradicional - que as mulheres esperassem pelos maridos o tempo que fosse de suas viagens. Me pego pensando que a lealdade vinha em primeiro e que isso se confundia ao que popularmente foi chamado de amor.

 Krupert eu não consegui sentir intimidade. O santo não bateu. Ele é um herói que faz o que é necessário tendo certas passagens que parece que a confusão sempre o procura. Ele tinha a escolha de viver uma vida tranquila ao lado de Danáh em uma terra tranquila e sem guerras, mas pelo fato do dever vir como prioridade temos um herói que está a todo momento em constate perigo.

 Nos últimos cinco parágrafos da história, quando parecia que tudo já havia sido entregue e podíamos dar a obra como volume único, temos uma informação que atiça a curiosidade para saber o que mais Krupert pode fazer em Biteron.

 Li a obra na versão digital então não tenho propriedades para opinar sobre a edição física.

 A escrita do Adriano é fluída fazendo a leitura transcorrer mesmo com seus momentos confusos. Entretanto, certas palavras utilizadas para descrever as ações dos personagens soaram demasiadamente comparativas me fazendo ter a sensação de uma mosca o tempo todo a interromper o fluxo da leitura.

 Quanto ao público-alvo (juvenil) tenho ressalvas se foi boa escolha do autor, pois percebo que a concentração nessa faixa etária pode não ser lá das melhores, ainda mais nos tempos atuais com as redes sociais e canais de streamings ao dispor 24h. Seria interessante se no próximo livro da saga - que acredito que possa ter - o autor mudasse o tom e focasse para o público adulto.

 Recomendo a obra para os leitores que gostaram das tramas políticas envolvidas em As Crônicas de Gelo e Fogo e a ideia de povo subterrâneo que a série televisão The 100 explorou, pois em KRUPERT - 0 PRIMEIRO NECROMANTE também temos esses ingredientes e eles são fantásticos! 

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