[CRÔNICA] HINO DO MUNDO ANTIGO

Por: Francine S. C. Camargo - 22:28



“Caminhando e cantando e seguindo a canção...”. 

É fácil escolher um caminho, mas a tarefa mais difícil é seguir a canção. Machado, por exemplo, poderia compará-la à existência humana. E, com certeza, diria que a música nunca esteve tão destoada, e o que deveria ser um hino, não passa hoje de um bombardeio de vozes heterogêneas, que provocam um total desconcerto.

Por trás desses acordes, encontra-se um coro formado por cidadãos com as mais distintas características e que, no entanto, não se misturam. Na tentativa de salientar a sua ideologia, o ser humano não admite contrapontos, opiniões opostas, dubiedades ou uma simples hesitação. Assim, descarta as críticas ao seu modo de pensar com a mesma violência com que tenta livrar-se de um mosquito inoportuno.

E em todo lugar ouve-se falar em fé, em igualdade (religiosa, política, racial, ideológica...) e essa mesma atmosfera de respeito é desfeita se alguém banaliza ou somente ignora o seu conceito. Casos já antigos como a crença na salvação trazida por um cometa são tidos como inaceitáveis manifestações de fanatismo e o curioso é que, ao censurá-los, ninguém se identifica nas suas próprias atitudes.

A intolerância de uns é a cegueira de outros e ambos se revestem de moralismos e crenças para tornar absoluta a sua ‘verdade’. Verdade essa que, na minha humilde crença, não vai ser descoberta, dispensa apresentações por não existir. Mas caso exista, talvez com mais alguns séculos de guerra, o homem consiga atingi-la. Se não, resta a impressão de que se gastou tempo demais em busca de algo que poderia ser resumido em poucas palavras: os sonhos aparecem sob línguas, cores, deuses e amores diferentes, mas ao traduzi-los, chega-se a um mesmo hino: “somos todos iguais, braços dados ou não”.

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