terça-feira, 7 de novembro de 2017

[RESENHA] BELAS MALDIÇÕES

Autor (a):  Terry Pratchett e Neil Gaiman
Editora: Bertrand
Ano: 2017
Nº de Páginas: 350
Onde Comprar: AMAZON
Livro cedido em parceria com a editora


O mundo vai acabar em um sábado. No próximo sábado, e ainda por cima antes do jantar. O que é um grande problema para Crowley, o demônio mais acessível do Inferno, residente na Terra, e sua contraparte e velho amigo Aziraphale, anjo genuíno e dono de livraria em Londres. Depois de quatro mil anos vivendo entre os humanos, eles pegaram um gosto pelo mundo, e o Armagedom lhes parece um evento bastante inconveniente. Então, para evitar o fim do mundo, precisam encontrar a chave de tudo: o jovem Anticristo, agora um menino de 11 anos vivendo tranquilamente em uma cidadezinha inglesa. Em seu caminho, acabarão trombando com uma jovem ocultista, dona do único livro que prevê precisamente os acontecimentos do fim do mundo, caçadores de bruxas ainda na ativa e, quem sabe, até os Quatro Cavaleiros do Apocalipse. Mas eles precisam ser rápidos. Não é só o tempo que está acabando.
BELAS MALDIÇÕES é tudo aquilo que você nunca imagina presenciar no apocalipse bíblico!

 Conhecemos o anjo Aziraphale que tem uma biblioteca peculiar e seletiva em Londres e o demônio Crowley que não se pode confiar de nenhuma forma, o típico ser de sua espécie. Mas diferente do que conhecemos no livro sagrado cristão, esses dois personagens vão completamente contra as suas origens pois estão apegados a vida mundana. Os prazeres que eles estão acostumado há séculos não tem de forma alguma no céu ou no inferno, e eles sorrateiramente faram de tudo para que o Armagedom não se realize.

 É bastante surpreendente ver um anjo e um demônio unirem forças e estarem contra um destino que já estava escrito há milênios. Durante o enredo vemos esses dois seres questionarem os seus superiores e  praticando o livre-arbítrio que nunca vi tais seres possuírem. É como se os autores trouxessem o questionamento que ninguém tem a coragem de expressar durante uma missa ou culto.

 Crowley já o conhecia mais por sua caracterização na série televisiva Supernatural e eis que o personagem tem praticamente a mesma personalidade nesse enredo literário, o que me proporcionou confusão, senti como se estivesse lendo um plágio.

 Aziraphale é sem sombras de dúvida um anjo completamente incomum que ligado a literatura faz de tudo para correr atrás de escritos raros e ensinamentos ocultos sem chegar a estar do lado negro da força. Ele se apresenta como um excelente crítico literário e colecionador, cheguei a ter muita inveja de sua inteligência e maneira de aprender sobre o que lhe interessa.

 O que mais tira o porto seguro do enredo é ver os dois, juntos, tendo uma amizade. É como gato e rato, mas que no final do dia estão se ajudando mutuamente para sobreviver a esse mundo. Os autores arrasaram ao apresentar essa amizade que nunca deveria acontecer.

 Corwley e Aziraphale poderiam ser o pano de fundo do enredo principal, mas não, eles são os protagonistas dessa história e o anti-cristo é somente um obstáculo que vem para unir ainda mais esses dois a trabalharem juntos numa empreitada benéfica a fim de impedir esse jovem maligno de trazer o Armagedom, o fim dos tempos, o início do fim.

 Muitos podem ver como ponto negativo do enredo o anti-cristo não ser o protagonista. Até eu achei isso, mas tive que digerir durante semanas o que li para aceitar e compreender que se isso acontecesse o anti-cristo seria somente um elemento para trazer o clichê a esse enredo que de clichê não tem  nada!

 O humor da obra nos persegue e vem como uma capa nas costas do Crowley. Havia momentos que o riso era frouxo em mim por conta dos diálogos bobos. Claro que só podia vir tal humor da mente de Neil Gaiman que faz adultos rirem e crianças perderem o fio da meada pois são piadas ora inteligentes ora sem graça que de tão sem graça forçam o riso a escapar por entre os dentes.

 Com uma capa minimalista, a edição física apresenta páginas amareladas, tamanho das letras medianas e divisão  de “capítulos” através dos dias da semana. Afinal, o Armagedom vai acontecer num sábado.

 Recomendo a obra mais para aqueles que estão fissurados  e querem ler todas as obras escritas por Neil Gaiman. Não recomendo para aqueles que buscam um enredo rico e que apresente o apocalipse de forma sangrenta. BELAS MALDIÇÕES é mais um livro para se refletir sobre o que de fato é bem e o mal nos dias de hoje.

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