2017 EM MÚSICA

Por: Delson Neto - 23:27


 Dezembro chegando com aquele clima de recapitulação – o que fizemos, o que lemos, o que ouvimos. É sempre legal fazermos listinhas de quais foram os melhores conteúdos que consumimos e nos viciamos ao longo do ano. Mas preciso confessar algo: tenho uma dificuldade imensa em selecionar as coisas em “top 10”, “top 5” e afins. Sério! O motivo é ridículo, pra ser bem sincero. Sempre sinto como se estivesse sendo injusto com relação a algo ao colocá-lo em uma posição abaixo de outro, afinal, pensar no que é melhor ou pior depende muito do momento em que se vive. 2017 foi um ano de mudanças e que descobri muito sobre mim e diversas coisas novas, então desta vez vou apenas dar uma pincelada básica nos highlights de alguns temas – desta forma, a ordem dos fatores não altera o produto!

Mesmo que pensemos muito sobre livros no blog, a coluna sempre foi voltada a diversos temas, logo, para iniciar essa sequência de listas de maneira diferente, vou dar o chute inicial falando sobre os álbuns que foram lançados este ano e que fizeram a diferença na minha vida! Foram muitos, mas alguns me fisgaram de jeito, seja por composição, produção, ou a maneira que me abraçaram quando eu precisava.

Estão prontos? Vamos lá!





Eu não poderia começar essa lista por outro álbum que não fosse o Rainbow da Kesha (sim, agora sem o $). Esse foi um dos retornos mais triunfantes da indústria e ao mercado fonográfico. Desde que conheci o trabalho da cantora e compositora em meados de 2009/2010 – lá quando as primeiras demos vazaram pelo Orkut, o que incluía um CD com tracklist bagunçada e versões diferentes – a admirava pelo poder de composição para músicas pop e a forma como ela interpretava as canções que não eram seu foco de trabalho na época. Kesha nunca deixou a desejar nos vocais e afins nas baladas e músicas mais dramáticas de seus álbuns anteriores, e em Rainbow ela renasceu com todas as características que o mundo da música e seus produtores a obrigaram a deixar escondido: uma voz poderosa, letras impactantes e inteligentes, juntos ao potencial de se tornar uma artista memorável por gerações.

Desde a vinda do Joanne de Lady Gaga no último ano, algumas repaginadas visuais e musicais se desenvolveram em torno dessa vibe country, ou com pegada folk e mais lenta. No Rainbow há isso e muito mais, pois encontramos uma versão mais vulnerável da intérprete a sensacional Praying – o primeiro single trabalhado do álbum – que se entrega e nos revela tudo pelo que passou, o que inclui uma série de problemas judiciais e casos terríveis de abuso por parte do seu ex-produtor Dr. Luke. O arco-íris do cd de Kesha a traz para a luz de novo, e ela aparece para nós em todas as suas cores. Vale cada ouvida e você não quer pular nenhuma faixa devido a incrível fluidez que o disco possui.

Destaques: Praying, Rainbow, Learn to Let it Go, Boots e o hino Woman.




Pensando ainda em fluidez e principalmente coesão, a cantora neozelandesa Lorde fez sua aparição de volta aos charts e lojas de cds por todo o mundo com o sucessor do seu aclamado primeiro álbum. Melodrama é perfeito do começo ao fim, obscuro na medida certa e pop de forma inteligente. As composições invocam a atmosfera noturna descrita nas histórias aqui narradas, bem como os instrumentais salientam uma produção criteriosa feita pelas mãos da própria cantora e o incrível Jack Antonoff. O primeiro single, Green Light, dá início a festa e às bebedeiras que banham o álbum, ao longo de toda a obra, percebemos os altos e baixos de Lorde nessa vida de baladas após o término de uma relação intesa. Se me perguntassem que cantora poderia ser a voz da nossa geração, eu diria sem sombra de dúvidas que a intérprete escolhida seria ela – “we're l-o-v-e-l-e-s-s generation” – a forma como ela fala desse amor líquido, tal como a paranoia que nos cerca em certas paixonites, mostra tudo pelo que passamos neste século enquanto seres que sentem necessidade de amar e ser amados.

Destaques: Sober, Homemade Dynamite, Writer in the Dark, Liability e Supercut





2017 de fato nos trouxe resgates de diversos nomes ao mundo da música, a banda Paramore também retornou depois de um excelente álbum lançado em 2013. After Laughter nos traz tons de continuidade para os territórios aos quais o grupo se encaminhava já nos últimos singles do Self-Titled: um rock mais alternativo, menos pesado e mais experimental. Quem nunca chorou ouvindo The Only Exception ou se revoltou com Misery Business na adolesência, né? Mas agora esse tempo ficou para trás e Paramore não só amadureceu sonoramente como agora tratam de temas mais adultos, tais como a frustração em si, extremamente relevante em todas as canções do excelente disco lançado este ano.

A primeira música de trabalho do After Laughter foi Hard Times, uma ótima escolha para demonstrar a essência do álbum – músicas de estética feliz, good vibes, com letras que te fazem chorar. O videoclipe também dá uma pincelada na parte visual dessa era: algo clena, mas bem colorido. Todas as músicas têm letras identificáveis, e é outro cd possível de ser ouvido do início ao fim sem encontrar nenhuma canção que esteja ali meramente para encher linguiça.

Destaques: Fake Happy, 26, Pool, Idle Worship e Caugh in the Middle



Por último, antes de um apanhado geral de outros ótimos lançamentos, eu não poderia deixar uma oportunidade dessas passar batido. Sempre que surge uma chance de enaltecer esse ícone que é a cantora, compositora e produtora Allie X, eu não a deixo escapar!

Este ano, Allie lançou finalmente o seguimento de seus CollXtion (um modo conceitual que ela achou de chamar a compilação de suas músicas em EPs ou Lps) – CollXtion II nos apresenta 10 músicas muito bem-compostas, arranjadas e produzidas. Seguindo uma linha com toques maiores de pop e alterando a estrutura já conhecida de algumas canções anteriormente lançadas, Allie retrata temas como amor, amizade e experiências pessoais em letras grudentas e instrumentais que seguem a tendência atual, além de ter toda uma estética própria.

Destaques: Simon Says, Dowtown, True Love is Violent (essa era pra Madonna!), Paper Love e Old Habits Die Hard



Claro que tiveram diversos lançamentos tão interessantes quanto os que citei:


Double Dutchess, da Fergie
Blue Lips, da Tove Lo
Poppy.Computer, da Poppy
Lust for Life, da Lana Del Rey
Future Politics, da Austra
I See You, do The xx
MASSEDUCTION, da St. Vincent


Abaixo, algumas músicas desses outros álbuns para apreciação geral :) 


Gente, sério! O que são essas mulheres, essa música com uma oscilação de gêneros impecável e a fotografia maravilhosa? A direção de arte e fotografia são de brasileiros <3


Pensa em um clipe hilário... E uma música que gruda na cabeça!


Poppy é quase um movimento artístico moderno - e também canta! Saca só que música sensacional, com uma pegada bem anos 80


Lust for Life é um paradoxo - bom, mas ainda podia ser melhor. Contudo, tem canções incríveis como esta acima (e que o clipe era para outra... que não entrou no álbum!)


Eu conheci Austra com essa música! Olha só o clipe...


As músicas do The XX são apaixonantes, mas esse álbum deles... Embalou o início do meu ano e me deixou completamente fisgado. É lindo de ouvir!


Eu não trouxe o MASSEDUCTION a destaque, pois ainda estou o absorvendo. É um lançamento relativamente decente, mas incrível! Sério, vejam o clipe e entendam!


Até a próxima, pessoal!  

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