AUTOR X AUTOR: ADRIANO SILVA E ALAN SILVA DEBATEM SOBRE A LITERATURA LGBTQ+

Por: Salvattore Mairton - 21:09


Olá leitores e leitoras,  já faz algum tempo que não trazemos nossa coluna Autor x Autor,  um debate as cegas onde dois autores respondem as mesmas perguntas, porém não sabem quem é o outro participante.

Na coluna de hoje, o tema escolhido foi Literatura LGBTQ+, e os autores Adriano Silva (Felizes Para Sempre) e Alan Silva (Isaac) foram os escolhidos.  Vamos conferir? 

R.L: Na sua opinião, literatura lgbt deve ser escrita só por quem é da comunidade ou pode ser escrita por hetero também?

Adriano Silva: Não deve ser escrita somente por integrantes da comunidade LGBTs, porém deve ser escrita com responsabilidade lembrando que a literatura Gay é um ato político e de representatividade. 

Alan Silva: A literatura não serve se usada como ferramenta de segregação. É claro que um lgbt conhece bem mais suas vivências que um hétero, é evidente que os autores lgbt's conhecem bem mais da nossa cultura que os autores héteros. Mas no final das contas, se o livro for bem escrito e respeitar a diversidade e o que é particular de cada ser, está tudo bem. Seja lgbt, seja hétero. Pesquise, escreva e viva seu livro.

R.L: O que você acha do apelo sexual em histórias lgbt? Sejam em capas, divulgação, enredo etc... 

Adriano Silva: Não vejo nenhum problema desde que seja verossímil e respeite a diversidade. Muitos livros retratam cenas que passam bem longe do que, por exemplo, retrataria um ato sexual entre LGBTs. Percebo que muitos autores estão atrás do Pink Money devido ao grande crescimento desse gênero e desconhecem ou usam de estereótipos para criar personagens que em nada despertam no leitor sentimentos ou empatia. 

Alan Silva: Sejam em capas, divulgaçao, enredo etc... Existe apelo sexual em histórias com protagonistas héteros? Um monte. Então o que difere um nicho de outro? Na minha opinião, apelo sexual em tudo é ridículo, forçado — salvo os livros hots — tudo se tornou extremamente comercial. Infelizmente.

R.L: Como voce acha que a comunidade lgbt deve ser retratada em um enredo? 

Adriano Silva: De forma natural, assim como realmente é. Acredito que no futuro não precisaremos mais de usar caixinhas para designar gêneros ou orientação sexual, mas hoje ainda é preciso dessas para representatividade e luta por equiparidade de direitos. 

Alan Silva: Como ela é na vida. Quem nós somos? Como nós existimos? Como nós resistimos? Literatura lgbt está sendo construída com muita dificuldade, mas aos poucos conseguimos chegar num consenso que não dá pra fazer uma obra realista e colocar um lgbt dono de tudo, que nunca sofreu pela sua orientação sexual e etc. A vida não é assim. É utopia. Fantasia. E até mesmo nesses géneros a verossimilhança precisa estar presente.

R.L: A Literatura Lgbt é bem vista no mercado literário nacional? 

Adriano Silva: Ainda existe muito preconceito, porém a nova geração é mais aberta para a diversidade. A literatura LGBT está saindo do nicho para se tornar cada vez mais popular. 

Alan Silva: Infelizmente, ainda não. Muitos autores são da premissa que não deveria existir um nicho de literatura lgbt, é surreal. Até alguns anos atrás éramos invisibilisados e esteriótipados por muitos autores e era tão difícil encontrar literatura lgbt boa e com qualidade. Agora, estamos lutando pelo nosso espaço e não vamos parar. 

R.L: O que você busca mostrar em sua literatura lgbt?

Adriano Silva: Sempre retrato em meus livros a comunidade LGBT como pessoas comuns; que trabalham, estudam, possuem famílias, filhos, bicho de estimação, enfim, com as complicações, sabores e dissabores da vida. Evito sempre escrever sobre homofobia e matar os personagens ao fim do livro, isso é um lugar muito comum na escrita LGBT nacional. Meu objetivo sempre é passar uma mensagem de amor e respeito às diferenças.

Alan Silva:  A realidade. Principalmente, a vivência de cada personagem. Busco de alguma maneira incentivar a reflexão no leitor. Se somos todos iguais, então por qual motivo morremos pelas diferenças?

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1 comentários

  1. Conheço os dois autores e adorei as respostas de ambos. Concordo plenamente com ambos! Parabéns! ♥

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